30 de jan de 2009

De repente é isso (Cenas Urbanas)

Medo. Foi o que sentiu quando tocou seus lábios novamente. Ele ali extático esperando qualquer reação ou incerteza. Ela tentando conter a vontade de chorar. Uma só palavra, um só gesto, e tudo ficaria bem. Atravessaram a rua, olharam-se, mas a cumplicidade já não existia mais. E aquelas mãos já não imploravam mais um consolo porque tudo era outro, diferente, mais um. Nem os faróis apressados coibiram os passos sem demora que não queriam perder um só segundo de despedida. E então soprou o vento, a chuva amordaçando aquela angústia e o tempo a dizer a ele que seus passos foram lentos demais para fugir dos imprevistos da vida. Ficou tudo escuro. Ela chorou.

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