5 de jan de 2011

AQUELES DOIS GIRASSÓIS QUE PLANTEI ONTEM

Ela lhe dera um pequeno girassol. Frágil, amarelo e solitário. Ele sorrira descrente do frescor daquelas pétalas em meio ao tórrido verão de fevereiro. Ela também sorrira tão amarelo quanto o girassol reprimindo um desejo antigo de recomeçar. Era a própria terra gerando seu fruto. Para ela o fruto proibido. Dias e noites a resguardar o pequeno girassol das intempéries e do olhar desinteressado de seu dono. Não havia o que dizer. A fragilidade de ambos nas pétalas amarelas e iluminadas pelo sol que girava sem parar. Um dia venho a chuva e tudo levou. O desejo, o desespero, a sede. Água nutrindo a pele amarela. Tudo ficou sufocado como um grito surdo. A tempestade. Mais nada.

Um comentário:

  1. Sendo dois girassóis plantados, prefiro acreditar que a chuva levou apenas um deles; o outro ainda guarda muitas sementes para recomeçar quantas vezes forem necessárias.
    Sempre é tempo.

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