30 de mar de 2013

Abelardo gosta da minha pele alva,  do meu silêncio , do meu fingimento passional, do meu não sentir e de não estar em lugar algum quando, de fato, estou ali , pronta para desabrochar, mas não os compreende, tampouco, dimensiona minha total falta de apreço pelos amores unilaterais. . Abelardo é pouco para o meu muito, mãos deslizando no corpo em fuga, mãos de um vazio fatal, mãos únicas. Gosto de seu hálito fresco feito manhã outonal, seu cabelo indefinido, sua língua quente, sua palavra profanando meu puro desejo de continuar. Abelardo diz que sou difícil, difícil é entender o lado azul desse amor tão líquido. Abelardo matou-me a razão, mas não a vontade ficcional.

2 comentários:

  1. Abelardo comeu-te a palavra, o gesto, o verbo. E tu, em vã tentativa, tentas fugir deste que te prende como ave que retorna ao ninho, mais uma vez e sempre.

    Lindo texto.

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  2. Aiii Gi, só agora vi teu comentário (muito poético). Obrigada pela leitura! :-)

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