15 de ago de 2013

Da tentativa poética: outros experimentos




 Poema Itabirano



a cabeça pesa
porque já bebi toda a esperança
daquela última garrafa guardada no armário

a luz apagou
e agora João
cadê a alegria
a morte levou

esse poema era só pra dizer
que a vida desandou
e que ser feliz é uma ordem.



 Travessia


eu queria deixar um poema
aqui no banco deste ônibus

para ludibriar o coração
dos homens ocos

mas a porta se abre
é a minha vez de partir. 


Ruínas


nesta noite
talvez minha embriaguez
permita algumas concessões

mas não há perdão
em minhas mãos

é tempo de memória. 


 Serventia



nesta tarde banal

preparei a casa
o corpo
a vida

mas não vieste
e o meu poema
se desfez

feito pão de ontem
esfarelado de tristeza.


Alice não vai voltar


me perdi
como uma chave
-inevitavelmente -
dentro de uma bolsa
de caos
com um fundo roto
de tão falso.



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