25 de jan de 2009

Por la noche (cenas urbanas)

Olharam-se. E num instinto precipitado tudo se confirmou. Outras mãos, outra boca, outra incerteza. Ela sentou-se à mesa ao fundo sem querer observá-lo, mas com os dedos trêmulos entremeando um cigarro jogou ao ar toda sua decepção e angústia. Ele não fora sincero. Ao longe, outras mãos se entrecruzaram, outros lábios se tocaram, outras vidas se prometeram. E ela lá, testemunhando o que já era previsto. Ela riu, ele também, e por um momento tudo desapareceu e só restaram as inverdades, as promessas, os discursos. Ele levantou-se, e antes de partir a olhou mais uma vez. E com outro cigarro nos lábios ressequidos ela chamou seu nome em silêncio.

Um comentário:

  1. Texto maravilhoso. Cruel, porém fascinante.

    Claudia Correia dos Santos

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