Mostrando postagens com marcador Isso não é literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Isso não é literatura. Mostrar todas as postagens

10 de set. de 2013

Da urgência de ser honesta (mais uma vez)

Então a canoa virou (comigo dentro) e afundar era uma questão que só o peito (como um pote até aqui de mágoa) deveria decidir. Enfim, afundamos. De mãos dadas, corações em simetria. Silêncio. Aquele silêncio que responde todas as perguntas, todas as dúvidas, todas as especulações. É porque bailamos rápido demais, rodopio frenético e um tombo iminente, tão dolorido como uma pisada no pé na hora da dança. Aceitei cartas, medalhas profanas e um Chico que derramou-se líquido.  Era inverno. E talvez a primavera não desfaça tanto desassossego. Era pra ser poesia. Virou o conto de um terror imenso. Muita urgência para tão pouca certeza. Feito pedra no sapato que não quer sair. Era até cair doente, mas agonizou antes da hora.  Escuta, só vim aqui pra dizer que as tuas mãos vulcânicas ainda me assombram.

6 de set. de 2013

Dois cafés, por favor

Das ruas largas fugimos lépidos.  Com medo, com culpa,  com desespero,  com. Derramou-se o leite, fechou-se a porta, findou-se o óbvio. Cartas para reparar os desvios. Café para brindar tanta poesia desfeita.

11 de ago. de 2013

Eu poderia cavar freneticamente (feito um cão buscando seu osso) até encontrar uma saída plausível para todo esse drama. Mas não. A canoa virou (comigo dentro) e eu não sabia nadar. Então, afundei. Até um fundo tão fundo que eu nem sabia que existia. O avesso do avesso do avesso (só que não daquele jeito lindo que o Caetano fala). Há desesperança em toda parte. Sim, há. Mas Beckett estava certo! Esperar por Godot é inútil. É autoengano. Auto exílio. Autossabotagem. Automutilação. Autoficção. Dentre esses, o último sempre me salva de qualquer tempestade. Escrever dói como um prego enfiado no pé. E arde.

31 de jul. de 2013

Ofício (ou não)

Difícil tirar poesia de pedra. Pedra. É tudo que tenho. Um tanto, um pouco, um nada. Respirar é a ordem do dia. Poesia não. Eu quero, mas não dá. Não brota, não grita, não pede atenção. Eu queria acordar azul um dias desses - e a onda, e a onda, e a onda - andou. Sem telefonemas, cartas, cafés, acenos. Nada que me leve para perto da razão. Só o farol iluminando o caminho. Eu queria te dar uns olhos tristes, mas os entreguei ao mar. É. Eu avisei. Subi na mesa aos prantos e os ouvidos estavam cheios de inutilidade, não havia espaço para o meu lamento. Difícil tirar poesia de pedra. Pedra. É tudo que tenho. Tem um poema doendo aqui dentro, mas não sangra.

4 de jul. de 2013

Nota para caderno terapêutico

Morning (or a deception) Coffee and cigarettes. Good morning, Baltimore! The real life, hoje não. Afternoon (or the sad autumn) More coffee. Compro o jornal para ludibriar meu abismo interior, mas não. Caminho pelas ruas contemplando coisas que não me interessam até encontrar um abrigo confortável para a minha solidão, mas não. O que há então? Há a criança que chora e eu com olhos maternais digo que não. Quero arrebentar as lixeiras no caminho, mas não. Um homem de bigode me observa: há piedade em seus olhos, há memória, mas não perdão. Também não há perdão em mim. Só a memória com seu cheiro nauseabundo. Evening (or the hope) Ouço música. Choro (Vinicius me faz relembrar ausências)e me desespero. Agonia cravando na carne suas unhas afiadas. Escrevo, escrevo, escrevo. O mar me chama, o mar me quer, o mar. Mas hoje não.

23 de jun. de 2013

Breve crônica para um domingo de cansaços

Minha relação com a leitura vem de tempos remotos, mais especificamente, desde que descobri o sentido real daquele ditado popular "antes só do que mal acompanhado". Pois bem. Não, não sou a excêntrica intelectual que prefere se manter na solidão do que socializar com o resto do mundo. Se prefiro estar só? Sim, mas é uma opção minha (e você que me julga, vá para o inferno). Apenas quero dizer que a leitura em minha vida sempre se fez de modo escapista, isto é, leio para fugir (de mim?), para escapar por alguma fresta que ninguém vê, para afugentar o caos (que sempre há), para. E minha relação com a escrita não poderia ser diferente. Escrevo também para escapar (do que?), para enfrentar um mundo que não quero, para criar uma versão minha a cada dia, para. E justamente por me identificar com atividades que exigem reflexão, ouço frases pejorativas do tipo: "nossa, ela é uma intelectual", "puxa, como ela é calada", "que moça mais certinha!", "cara, ela é muito esquisita", penso: e você, que fala pelos cotovelos e nada diz? E você, que vive mergulhado na ignorância e acha que abrir um livro é coisa de gente metida a inteligente? E você, que se pensa o mais devasso dos seres, moralista ao avesso? A minha devassidão está na palavra, o meu politicamente incorreto está na tentativa ficcional, a minha indignação está na forma com que configuro o mundo, enfim. Ah, isso é viver no campo das ideias? Sim, e daí? Prefiro ser do que tentar ser e agradar, sempre. Os velhos rótulos fazendo o seu papel, o de categorizar o impossível. Não, não sou esquizofrênica e o mundo não está contra mim. Está à minha margem, a margem que criei para mim, a fim de ludibriar quem acha que pode me classificar. Meu prazer em estar com inúmeras pessoas se equipara ao meu gosto por cortar cebolas. Sou feliz com o meu silêncio e a minha solidão. Os extrovertidos que me perdoem, mas calar a boca é fundamental. Ah, virtualmente sou bem mais simpática.

21 de jun. de 2013

Da urgência de ser honesta

Leitor, eu pequei. Atentei contra a minha vontade (quase física) de escrever. Reprimi o ímpeto criativo, a palavra pulsando, o nó. Esse, na garganta (quase sempre). Interferi no caos - origem do verbo em mim- e me entreguei (dissimulada) ao cotidiano de esperas. Mas antes de, houve um choro (contido), razão sincera do meu escrever - agora- e me pergunto: haverá um fim de linguagem em meu corpo? Não, pois sinto algo em minhas entranhas - dor extrema- que me faz gemer: é a poesia nascendo, enfim.

29 de abr. de 2013

Da escrita

Pois bem. O que escrever quando não há o que escrever? Dia típico: café e chuva. E nenhuma linha confessional ou literária (tampouco acadêmica). Apenas o ímpeto da escrita e nada. Mas sempre há o que escrever... falar da não-escrita é escrever. Outro (longo) dia termina e eu ignoro esta narrativa que crei para mim, tão ficcional quanto minhas boas intenções para salvar o mundo. Todo o incômodo que habita em mim é regurgitado aos poucos a fim de não engasgar com tantas obsessões. Eis a escrita. Day is done.

26 de mar. de 2013

Linguagem viciada em solidão é o que há. Procuro no caos uma saída, um blues, um desafeto e nego toda aquela dor de ontem. Tá certo que não sou a heroína de braços abertos a salvar o mundo de si mesmo, mas eu mereço um espaço no seu coração (de pedra). É no seu coração, caro leitor, que desejo me abrigar de toda essa balbúrdia cotidiana que vai me matando aos poucos. Quero inverno e um chá quente para acalentar o meu sonho. Inércia, não mais.

14 de mar. de 2013

Tenho pensado no fim. No fim contínuo, líquido, lacrimoso, escorrendo pelos meus  dedos endurecidos pelo frio. No fim sem recomeços ou mensagens de volto logo, the end verdadeiro. Tenho chorado por madrugadas intermináveis de insônia e de um afeto que não tenho (mas sei onde mora). Mas o que há, então? Será um tentar-encontrar-e-não-conseguir de mim mesma? Tenho diamantes disformes escondidos sob a pálpebra da minha ilusão.Desconheço quem possa viver de um entusiasmo enganador (até sei), aquele brilho egocêntrico ofuscando a minha vontade oca. Ouço Chico, Vinicius, e nada. (re) Leio Caio, Lispector, e não há. Declamo Ana Cristina, e nem ela, a musa, parece me ouvir. Preparo chás, cafés, coragens. Tem um pão de esquecimento para o café da manhã. Tenho um amor do tamanho do mundo, mas não há ponte. Então, cantarolo aquele blues opaco de um  fundo de gaveta e me reinvento,  para me tornar de novo o que nunca fui.

12 de mar. de 2013

Depois do abraço, o caos. Um chuveiro quente para amenizar  a perda cotidiana e só. Não importa o que virá depois. Frustração eterna de quem busca, mas não encontra. Ando me buscando nos lugares errados, nas estações incertas, em um verão sem fim. Não há mais o que dizer sobre um dia tão cinzento. Talvez Allen para reafirmar o meu discurso. Ou não. 

2 de mar. de 2013


É porque sempre tenho uma dor, uma angústia, um descarinho, uma pedra no sapato, um por fim. E não um beijo, um sim, um sol, um Beatle. É assim, sempre. Como o fundo de um poço sem fundo, interminável, sem nenhuma luz (no fim). Meus pés doem, mas é o peito que aperta. Tenho medos secretos. E sono, muito sono (mas não posso). 

Há um silêncio devastador no pequeno apartamento. Cômodos abarrotados de livros, filmes, discos, memórias, ressentimentos. O silêncio pesa como uma mão  atingindo a face desavisada; uma ruga a mais e tudo desmorona. O tempo também pesa. E muito. Corro até a janela na tentativa de visualizar alguma forma humana capaz me ouvir. Ouvir o meu silêncio ruidoso, caótico, incessante. Mas não há ninguém, é alta madrugada e o céu está dormindo; nem mesmo meus felinos, fiéis até no desassossego, me querem por perto.
         Há muito trabalho pela frente e é necessário me burocratizar novamente, fechar os olhos e engolir a seco tudo o que não desejo. Sobreviver tem sido um ato mecânico nos últimos dias: acordar, tomar banho, alimentar os bichanos, lavar a louça, trocar os móveis, trocar de vida. Desempenhar um papel que não me pertence, desarticulando qualquer reação. De fato, eu me perdoo. Me culpo. Me perdoo de novo e não compreendo o mapa que desenhei para mim com tanta perspicácia, há erros intermináveis nesta trajetória. Ouço Beatles e tudo me corrompe. Coração que não pulsa. 
E de repente eu choro pela dor do mundo. Talvez nem Drummond suportasse tanto peso sobre os ombros. Choro em meio ao barulho do chuveiro quente, na fila do supermercado, na contramão do meu desejo. Choro porque não sei falar, articular recomeços tampouco ludibriar o que não me convém. É preciso criar estórias, inventar o melhor,se ficcionalizar. A realidade é desbotada demais. 

30 de jan. de 2013

Escrevo porque ando torta (por dentro), amassada, dolorida. O velho pedido que ninguém escuta. É de se fazer ouvir (urgentemente) o mal que me cabe. 

30 de abr. de 2012

O que me move é esse não estar em lugar algum. É porque não me sinto em nada, absolutamente, ausente de mim mesma. É um não estar ali tão perigoso e irresistível, que não deveria voltar. Como Alice, acreditando em sua loucura. O que me move é esse não saber por que findo sempre que começo e por que não me sinto íntima de mim a ponto de saber quem sou. Um quase nada. 
De repente, acordei rindo de tudo. Da minha cara amassada no espelho e do despropósito de vida que nascia em mim, não mais que uma tentativa de tortuoso recomeço. Em vão. Tudo machuca quando a lembrança espeta a  alma em desaviso, e eu, sempre destoando da canção.

2 de fev. de 2012

Definitivamente, o que sei de mim é esse recado exposto em meu corpo: procura-se. Nada além do peso dos ombros e uma vaga promessa de tentar o que já não mais importa.
 Não há ruídos pela casa, tampouco alguém que possa perceber meu
silencioso desespero. Moveis em seus lugares, milimetricamente planejados como
a vida que arquitetei para mim, sem dúvidas, enganos ou desamores. Pura ilusão.
A desordem está na poeira das coisas, nos livros espalhados pelos cantos, nos
filmes que não vi, na folha branca amassada embaixo da escrivaninha. 
É o que sou. Um amontoado de incertezas a procura de uma razão, 
uma simples razão, que se desvanece como um sonho.Leio Borges e me pergunto se não seria 
o meu duplo o melhor disfarce. Talvez. Há tempos não teço uma frase, um poema,um pedido,
sem admitir que no meu corpo já não cabe tanto caos. Mas o que é essa vontade estranha
de desligar o mundo do meu desejo de continuar? Não há mais sol beijando a face, tampouco o vento desordenando os cabelos. Há um céu limpo, pleno e vago, assim como o peito que teima em romancear as dores.  

29 de jan. de 2012

Meus pés estão frios. Ninguém por perto, a não ser eu mesma tentando fugir do mundo, cavando um buraco profundo nas cobertas. Eu queria ser só, menor que o mundo, maior que a minha desilusão. Resgates literários não me trarão de volta. Porque não sei combater esta inércia paralisante, desesperadora, que me inutiliza quando tento recomeçar. Perdi o endereço do meu sonho.