11 de jan de 2009

Bandeira Desfraldado







Vou –me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou –me embora pra Pasárgada”.

Quem já não leu ou ouviu esses versos? Pois bem. Manuel Bandeira em seu pequeno reino é redescoberto em meio à poesia “concreta” brasileira atual. Lançado em 2008 pela editora gaúcha L&PM Pocket e disponível nas livrarias e bancas da cidade, “Manuel Bandeira de Bolso- Uma Pequena Antologia Poética (166 pg. R$12,00. Porto Alegre) reúne 149 poemas entre os mais famosos como o citado acima e os mais populares retratos do cotidiano capturados pela abstração que só Bandeira possuía. O livro é acompanhado pela apresentação e prefácio da Profa. Dra. em Literatura Mara Jardim da UFRGS que analisa a obra do autor e organiza a antologia por um critério cronológico e bem popular (poemas mais conhecidos), oferecendo ao leitor um panorama eclético de sua composição poética. O livro é composto por dez obras que inicia por “As Cinza das Horas (1917) seu livro de estréia até chegar ao seu real amadurecimento artístico.
Um dos autores mais representativos do modernismo brasileiro, Bandeira alcançou prestígio ao longo de seus oitenta e dois anos dedicados à literatura. Os textos selecionados são permeados pelas impressões líricas do autor que transforma até elementos folclóricos do Brasil e os próprios autores do Modernismo em poesia. É um apanhado poético perfeito para os leitores mais sensíveis e também para aqueles que ainda não descobriram na poesia uma outra forma de expressão artística.
L& PM Pocket traz de volta, de forma acessível aos leitores, a simplicidade retratada em uma poesia lapidada em profundidade onde o amor, a infância e a morte estão presentes de forma linear. Tão pueril quanto Quintana e tão comprometido quanto Drummond. São as vozes que não se calam. Clássicos que se renovam em meio a tanta informação cultural desnecessária. Desvende o universo de Manuel Bandeira e boa leitura!
Publicado no jornal Em Questão em 18/10/2008

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