29 de nov de 2009

Das verdades que nos restam ou um modo estúpido de ver o mundo

Caro leitor: a ILHA A está quase submersa. Sim, estamos embaixo d’água há dias e há quem se orgulhe disso. Não, não enlouqueci. Constatei. E bem de perto com os meus lindos e tristes olhos observadores. Coloco a seguinte questão: Uma enchente é capaz de sensibilizar você? É uma boa matéria para o jornal? Dá uma boa foto para colocar no orkut? Vira “causo” para você contar para seus familiares distantes? Para mim, nenhuma das alternativas anteriores. É quase inacreditável (na verdade, bem possível) que alguém possa ver beleza (a arte sim) ou diversão em tragédias. Entenda-se tragédia como algo também em proporções menores (há quem diga que as tragédias são aqueles terremotos arrasadores, coisas menores são fatalidades...). Pois bem. Há muita água por aqui e há também muitos olhos ávidos e estúpidos munidos de suas câmeras enlouquecidas por uma lembrança. E nesse momento, se esvai pelo ralo do inconsciente essa verdade que acreditamos ser realmente verdadeira: o de enxergar o outro (será possível?) nesse emaranhado fragmentado de individualismo (por isso é individual, por ser fragmentado! Teoria Lukácsiana, mas isso é outra história...). Às vezes essa descrença na humanidade me pega desprevenida...




P.S: Não, leitor. Não pretendo me candidatar nas próximas eleições se isso parece um discurso para você, leitor insensível. (acredito que leitores insensíveis e estúpidos não passem por esse blog, mas é bom eu me certificar... ) É que ando com desejo de mudança, e isso custa caro por aqui...

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