13 de fev de 2010

Da fatalidade de não ser o que se quer ser

(ou se realmente sabemos quem somos)

Certa vez me perguntaram quem eu realmente era. Respondi que tinha várias versões e que elas variavam  se  de acordo com as situações. Mas agora olhando aqui pela janela (um vento suave batendo no rosto) começo a me questionar. Quanto eus me habitam, oh céus?! São tantos e tão distintos e mágicos e cegos e sem memória que às vezes temo pela minha real identidade. Parece um tanto contraditório se lermos o post “Um novo Eu” onde afirmo que não temo pelos eus que poderão surgir. Não temo literariamente, estes sim podem frutificar à vontade. Mas temo com o meu (pouco) senso de realidade. Temo acordar pela manhã e a confusão mental ser (e tem sido) imensa ao ponto de me desencontrar de mim mesma. E não conseguir calar. Parar. Organizar. Não organizar o caos que não deve ser contrariado tamanho risco que corremos ao nos opormos a ele. Mas organizar o pensamento, as idéias e às vezes não consigo. Ainda não sei se algum dia viverei sob o julgo de apenas uma identidade. Leitores, eu não tenho várias personalidades. Não se assustem. É que o ato de escrever é tão dilacerante e tão intenso que não cabe em apenas um eu. Necessito de vários eus para me expandir. Deve ser isso. Uma identidade maleável que chora e ri ao mesmo tempo. E se entrega inútil ao grande (e perigoso) prazer d literatura.



P.S: Se alguém achar que devo fazer análise faça o favor de me indicar um profissional competente e com experiência em curar crises poéticas. Obrigada.

2 comentários:

  1. Não acredito que essa sua busca ( e de todos nós)pelo seu eu (ou como prefiram alguns outras interpretações) seja tema para analise psicanalitica. Pois senão faltariam psicanalistas no mundo...rsrsrrss. Se bem que essa ideia de encontrar respostas pode nos levar a loucura. Mas acredito que somente voce sabe bem o que te faz transpor e prosseguir buscando. Com certeza tua escrita fa zruir construções racionais, precipitando-nos para pulsões que aludem ao DESEJO SEMPRE INSATISFEITO. Prossiga, ou melhor TRANSGRIDA... continue refinando nossa sensibilidade ao indeterminado. Quem sabe possamos todos juntos decifrar esses "EUS" que nos habitam.

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  2. Obrigada leitor. Fico mais aliviada em saber que não preciso de análise. Mas esses meus eus...ainda vao me levar além ... (se bem que esta é a ideia!)

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