2 de fev de 2012

 Não há ruídos pela casa, tampouco alguém que possa perceber meu
silencioso desespero. Moveis em seus lugares, milimetricamente planejados como
a vida que arquitetei para mim, sem dúvidas, enganos ou desamores. Pura ilusão.
A desordem está na poeira das coisas, nos livros espalhados pelos cantos, nos
filmes que não vi, na folha branca amassada embaixo da escrivaninha. 
É o que sou. Um amontoado de incertezas a procura de uma razão, 
uma simples razão, que se desvanece como um sonho.Leio Borges e me pergunto se não seria 
o meu duplo o melhor disfarce. Talvez. Há tempos não teço uma frase, um poema,um pedido,
sem admitir que no meu corpo já não cabe tanto caos. Mas o que é essa vontade estranha
de desligar o mundo do meu desejo de continuar? Não há mais sol beijando a face, tampouco o vento desordenando os cabelos. Há um céu limpo, pleno e vago, assim como o peito que teima em romancear as dores.  

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