23 de out de 2013

Nota para Caderno Terapêutico #3


Um pouco de drama, por favor. E uma bebida para agradecer a Sartre pelo dia de hoje, amém! Um brinde aos equívocos cotidianos!  O peso sobre os ombros não tem a beleza nostálgica de Drummond. Aproveite o chocolate,  diz a moça no  supermercado. Mal sabe ela que aquele "meio amargo" é para  amenizar um dia medíocre como este. Poderia ser uma bebida, um cigarro, uma transgressão sexual, mas não. Meio amargo. Meio viva. Banheiro úmido.  Espelho oval - paredes frias - e uma vontade de. Sorriso de implodir navios. Ah se tu soubesses como são tão.
Fazei-me de mim um instrumento de vossa poesia! E os sinos tocam na  pequena igreja . O homem passeia com seu cachorro - em que estará pensando o homem de camisa azul?  Onde está você que não me ouve?  Impulsos de Sylvia Plath. Janelas de Ana C. Tem uma vida branca e limpa à minha espera. Mas não a quero.

 Vamos falar sobre o tempo?  Não da chuva, mas daquele tempo que congela as coisas. Sou uma gravação ao telefone - obrigada, sua ligação é importante para nós. “É para você que escrevo, hipócrita. Para você – sou eu que te sacudo os ombros e grito verdades nos ouvidos, no último momento." Ana que morre em todos os outubros. Eu que morro todos os dias. Só a poesia nos salvará.



Um comentário:

  1. Lindo...
    Um pouco de ti, um pouco de tantos...
    Adoro a tua multifacetada capacidade de ser única e ser todos!
    Parabéns.

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